blue.com

A propósito de adormecer e acordar, sempre no mesmo lugar, lembrou-se que acontecia assim, simplesmente. 

Senti-lo,  dava aos dias uma desmaiada cor barroca. Por isso, no fim de mais um dia, tudo ficava assim, de uma espécie de azul que nos corta por dentro, pensava, enquanto os pensamentos,  filtrados pela música,  lhe sobravam, sob a forma de efervescências indefinidas. 

Poder-se-ia imaginar que sim.  Mas não.  Ainda.

a.

Deixe um comentário »

Simetricamente, às escuras

Sem saber bem se são os ambientes que fazem os dias ou o inverso, ali se deixou ficar, de olhos fechados, sem fazer barulho, apenas a ouvir.

Simetricamente e, às escuras.

a.

Deixe um comentário »

Micro-dia quase free

Cada pedaço, interessava-lhe, o todo não. Era completo demais.

- Curtas e soltas sem serem deste mundo.

Por dentro, nem por isso. Por fora, ziguezagueava, sem muito pensar.

- Agora, já nem sequer sentia frio.

Aquele branco era cruel. Fazia de conta que tinha arestas por laminar.

- Um dia, quando já não tiver nada a perder!

a. 

Deixe um comentário »

Sempre

Ter acordado quase sufocado, de pedaços de palavras partidas misturadas com uns ecos de um silêncio barulhento, bastou. Essa sensação, dava ao desconforto dos seus dias, um toque cruelmente real.

Era uma manhã em que o céu estava partido. Talvez se tenha partido porque ele tinha bebido e dito coisas. Ou talvez não. Talvez fosse apenas um reflexo desconjuntado do acaso. Afinal, eram 5h da manhã e o céu batia-lhe no tecto que lhe fazia companhia.

- Não devias beber! Juntas os pedaços das palavras, partes o céu  e dizes coisas que se ouvem longe.

a. 

Deixe um comentário »

Laranjas e flores, em algodão, no escuro

A manhã fez-se manhã e, ele ali parado, defronte de uma banca de laranjas, empinadas piramidalmente.

Observava-as. Estava frio, mas isso não tinha qualquer importância.

Observava-as. A casca de quase todas elas era feita de pequenas concâvo-convexidades, que se repetiam em padrões ordenados. Para cima ou para baixo, para onde os seus olhos olhassem, repetiam-se. Estavam quase todas emudecidas, no esforço do equilíbrio.

Pegou naquela que lhe falava e ouviu-a. Era aquela que lhe dizia:

- Toma! Aquelas ali, estão conformadas.

a.

Deixe um comentário »