Acordou e deixou-se ficar. Havia um tecto branco para olhar. À força de nele fixar o olhar, conseguiu ver umas coisas que nos riscam a vida de todos os dias, que fogem de nós e nos aproximam, que nos ignoram e se vão. Coisas que, de ambos os lados, trazem e levam.
Está-se, não estando. Há quem lhes chame comboios.
Tendo adormecido com um coração de mata-borrão, acordou impregnado. Olhou-se e percebeu que transbordava. Não quis saber. Saiu de casa ao mesmo tempo que fechava o zip do casaco.
Deixou-se ir andando. Apressado, foi-se escondendo por detrás do vento. Do vento ou de outras irrelevâncias, que não sendo pertinentes, eram persistentes.
Naquele dia quente, ela olhava, ora para um lado ora para o outro. Desenrolou o que tinha enrolado. Dificilmente cabia ali ou em qualquer outro lugar. Desatou a olhar à volta.
Mas, como havia de poder ser, o azul não o ser?
Sentou-se em cima de uma qualquer superfície. Era azul.
Nem sempre, como naquele dia, olhando para cima, se via um céu quase estupidamente vermelho, em tons de azul escuro.
Isso não impediu que, ele, olhando em frente, de mínimos acessos, avançasse para trás. Para trás e olhando para o lado, onde via desfilar o medo todo lambuzado.
Ele sabia que debaixo da chuva, era preciso ir, dentro do escuro era preciso ver e, do outro lado, do lado lambuzado, era preciso voltar.
A alternativa era rir dos ai’s. Dos dele e dos dela.