Por onde ia, não era um depósito de coisas. Talvez, nem mesmo uma berma de coisa nenhuma. Mas, mesmo assim, ia. O seu corpo magro confundia-se com a paisagem cheia de urbanidades enquanto a luz crua e fria da manhã lhe fazia piscar os olhos.
Alguns passos desengonçados depois, estancou e, vi-os, ali ao esticar da mão. Não pode deixar de sorrir enquanto somava na sua cabeça as parcelas da soma que lhe assomava certos dias.
Surpresa, reparou que oos cacos da razão, suspensos, não eram de ninguém.
São os dias que, depois de amanhecerem, se expandem e que esverdeiam até se alaranjarem. Não são por isso diferentes, são apenas, quase surreais.
Por isso, lá estão eles, ao lado de uma cadeira coberta de pó e, no avesso, com as rugas do costume. Quanto aos direitos, não é claro que a dor de os não ter lhes pertença. É apenas uma forma de se assinalar que eles, a ela não têm direito.
Depois, o céu riscado, a parede branca e o EU dessintonizado, fizeram o resto.
Naquele dia, o ceú amanheceu riscado e ela reparou.
O nevoeiro que corria sobre o rio, atravessou-lhe a pele e aninhou-se no seu interior. Ali, teve que se entender com o frio, a fim de partilharem o espaço que por lá havia.
Os entendimentos nem sempre são fáceis e eles sabiam disso. Dispuseram-se a olhar para cada recanto, enquanto diziam baixinho: