Acordar conectada intimamente com uma torradeira, era estranho. Pressentir que o dia ia ser um dia em que o pessimismo tentaria o flirt com a esperança, não a tranquilizava. Os pensamentos, como pólen a boiar, neutralizavam qualquer predisposição para a ação. Mesmo assim, os seus olhos precisavam de se focalizar em alguma coisa.
Nesse dia, os guindastes da zona não se admiraram de a ver e sorriram quando a ouviram gritar:
Hoje, as merdas e as porras, contaminadas pela produção duma coisa que bate algures no peito e que produz heartbeats envolveram-se num descontrolo e acabaram liquefeitas.
As merdas dela. As porras dele.
As porras dela. As merdas dele.
Foi assim, com uma regra de 3 simples. Shake it…com lágrimas!
Não ter sido bem sucedido, nem se distinguir pela sua exemplaridade, afectou-o. Por dentro e por fora. Por isso, e numa lógica de modernidade, pensou que o melhor seria olhar para o futuro.
Fê-lo. Insistiu. E, tendo tempo e vontade e, por causa do mas do outro dia, voltou a olhar de novo. Percebeu que estava utopicamente afectado.
A luz entrou pela noite e destronou-a. Isso fez com que muitos dos seus pensamentos fossem afectados. Silenciou-os. Olhou a cama vazia e desfeita. A luz reflectia a sua sombra no emaranhado dos lençóis. Doeu-lhe olhá-la e saiu do quarto.
Outros circuitos da sua vida teriam que ser reactivados:
… lavou a cara e sentiu o desconforto de estar vivo.
… olhou fixamente a torradeira e bebeu o primeiro café da manhã.
… deu um pontapé na cadeira e foi-se embora dali.
Levou consigo uma pergunta na esperança de conseguir fabricar uma resposta: porque raio era tão dificil falar quando se sabia exactamente o que não dizer?