Reparou que no céu já não havia luzes. Isso significava que o dia tinha afastado a noite dali, daquele lugar onde ela estava. Por pouco, isso tinha acontecido sem que reparasse, de tão absorta que estava.
Reparou que a cor dos seus olhos era a mesma de todos os dias em que os olhava por entre o nevoeiro das manhãs em que acordava sem dormir dentro de uma cidade acordada, ela também.
Pareceram-lhe compatíveis, ela e a cidade. Emerdadas, ambas.
Sob um céu carregado de poeira fininha, ele ia indo. Sem que desse bem conta, deixou-se escorregar pela margem da estrada, devagar, até sentir os pés baterem contra uma árvore. Apeteceu-lhe. Ali, debaixo daquela árvore, podia ver que as ondas no mar continuavam absolutamente azuis.
E ele ali, naquele lugar.
Era ele, sem dúvida.
O lugar, esse, era o mesmo, o mesmo de sempre.