Arquivo para Dezembro, 2009

In dreams, à janela

Ali, naquela janela, de uma casa que desde há muito conhecia, por debaixo de um céu carregado de cores, mais ou menos sórdidas, ele continuava sem saber o porquê.  E não era do vento, nem da chuva. Tão pouco do frio que não o importunava sequer. Isso, ele sabia muito bem, embora dissesse que sim, às vezes, para disfarçar.

Porque raio aquela expressão lhe não saía da cabeça, se já lá iam uns quantos anos desde que a tinha guardado num dos refegos do seu interior?

Estava ali, assomado, debruçado, alheado, destroçado, há tempo demais para que viesse a saber. Tinha os olhos fechados e as dúvidas, soavam-lhe assim.

a.

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truz-truz

- Truz-truz!  Posso entrar…!? Fica descansado, Pai Natal, que não te venho aumentar a renda!

- (…)

- Fizeste obras de melhoramento? Mas que óptimo! Puseste umas sanitas de design… óptimo… substituiste as maçanetas por outras com golfinhos… óptimo… jardinaste e plantaste daquelas flores grandes que florescem na Primavera e no Verão e quando calha… óptimo!! Mas que grande refugiado eu aqui tenho!

- (…)

- Assim sendo, deixa-me dizer-te que aquilo que cá  me trás é … digamos que… o que eu quero dizer é… (porra, estive eu a decorar o discurso é agora não me sai nadinha…!).

- (…)

- Sim, claro, tens razão! Deves estar a pensar que uma criatura que se chama RU, às vezes rumina, eu sei! Mas não é bem a parte da ruminação… é mais a outra.

- (…)

- Pois, essa! Deve ser do vento, daquele whispering e frio.  Mas… OK… OK… eu ouço a tua música… é esta!…!?

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blue.com

A propósito de adormecer e acordar, sempre no mesmo lugar, lembrou-se que acontecia assim, simplesmente. 

Senti-lo,  dava aos dias uma desmaiada cor barroca. Por isso, no fim de mais um dia, tudo ficava assim, de uma espécie de azul que nos corta por dentro, pensava, enquanto os pensamentos,  filtrados pela música,  lhe sobravam, sob a forma de efervescências indefinidas. 

Poder-se-ia imaginar que sim.  Mas não.  Ainda.

a.

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Simetricamente, às escuras

Sem saber bem se são os ambientes que fazem os dias ou o inverso, ali se deixou ficar, de olhos fechados, sem fazer barulho, apenas a ouvir.

Simetricamente e, às escuras.

a.

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Micro-dia quase free

Cada pedaço, interessava-lhe, o todo não. Era completo demais.

- Curtas e soltas sem serem deste mundo.

Por dentro, nem por isso. Por fora, ziguezagueava, sem muito pensar.

- Agora, já nem sequer sentia frio.

Aquele branco era cruel. Fazia de conta que tinha arestas por laminar.

- Um dia, quando já não tiver nada a perder!

a. 

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