Arquivo para Março, 2010

Desarrumos

Já há uns dias que ela andava a prospectar os dias que aí vinham mas, nem assim, conseguiu saltar-lhes por cima. Havia demasiada desordem de pedaços entre eles. Os pedaços, esses não pareciam importar-se.

Assim sendo, precisava de ir lá, de ir ver. Foi.

Precisamente nesse dia, precisava. E por isso foi.

Entrou naquele armazém cheio de sons onde nada se ouvia por entre o muito que ecoava no ar. O outro lado do aparentemente vazio, parecia tão evidentemente assim, que até se podia pensar que sim.  Isso ou o seu contrário, ela não sabia.

Talvez fosse essa incongruência que quase matava.

a.

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Um olho aberto outro não

Sem qualquer líquido vital em circulação dentro de si, teve que abrir um olho. O outro, não, para que a noção de profundidade  ficasse, propositadamente, adulterada e, assim, lhe desse a ilusão de que ainda podia cair mais.

Era uma estratégia, que às vezes utilizava, ao serviço do engano e, que lhe permitia continuar a sentir que ainda estava viva.

De pouco ou nada servia mas, sempre se lembrava de coisas e de músicas que cantam a 6ªfeira.

a.

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