Hoje, ao pequeno almoço, monologando à frente da torradeira, estática de tão idiota, lembrou-se das histórias que tinha guardadas dentro de si. Eram de acesso fácil visto estarem naquele compartimento, que num dia de primavera, tinha catalogado como “ Black bird ou o poder da metáfora” e que, todos os dias, abria e fechava várias vezes. Ás vezes, até se perguntava porque o fazia, mas raramente se demorava a pensar na resposta. Era assim, abria-o e fechava-o para o voltar a abrir e a fechar de novo.
Indo a 2/3 do monólogo e a 3 dentadas do fim da torrada, deu consigo a pensar que aquela espécie de campo magnético da incertezas intrínsecas à coisa, podiam ter polaridade contrária à esperada.
Isso acelerou-lhe a mastigação e o coração. Era domingo.
- Diz-me lá ó torradeira, tu percebes alguma coisa de magnetismo?
a.
