Les bras de mer

O dia mandou-a levantar-se e ela levantou-se. Era o dia que mandava, como de costume. Não que isso fizesse diferença, já não fazia.

Tantos eram os dias da sua vida que aquele se distinguiu dos demais. Era um dia ali, naquela praia.

Nos outros dias, se estava calor, às vezes saía.  Se não estava, ficava atarefadamente parada a olhar, à espera que a noite acontecesse. Às vezes não era assim, nem era nada. Mas hoje não, era um dia ali, naquela praia.

Os sons pareciam almofadados. Eram suaves e distantes, deixando-lhe assim muito espaço para os seus pensamentos saírem e apanharem sol. Deixou-os à solta, enquanto olhava o banco de areia branca, aqui e ali salpicado de preto por um cão. Ligeiramente inclinado para a esquerda, ali à sua frente a servir de separador entre a foz e o mar. 

A brisa soprava de forma intermitente, surpreendendo-a. Quando isso acontecia, ela apertava as mãos uma na outra, com a força de um abraço e olhava a praia, à sua esquerda.

As horas não tinham como acontecer. Fechou os olhos, ali, naquela praia.

a.

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