As manhãs eram feitas das dores que não lhe largavam a alma e por isso as torradas sabiam-lhe a um nada quase transparente. O ritual da lavagem dos dentes, reflectia cruamente no espelho, o desespero de que eram feitos os seus cinzentos dias.
Valiam-lhe a simetria das paredes brancas que o amparavam e a vontade de aguentar aquilo que não queria sequer demorar-se a pensar.
Naquele dia, sorriu, sem saber o que isso significava, fechou a porta, enquanto abria a janela. Estava sol e havia um cheiro adoçicado no ar. Era quase Maio.
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