Varrida por ondas (Love e Rayleight)

Geograficamente falando, ela estava debaixo de um céu forrado de algodão, em cima dum cerro, diante do mar.

O mar, esse, era feito de camadas de azul, cheio de reflexos e movimentos vibratórios, concêntricos o mais das vezes.

Filosoficamente falando, ela, pouco versada em descontinuidades, tinha que se entender com os seus pensamentos.

Os pensamentos, esses, não queriam saber e seguiam escrupulosamente trajectórias elípticas, que acabavam sempre da mesma maneira: um cisalhamento altamente destrutivo, que a deixava debaixo, em cima e diante de todos os céus, cerros e mares. 

Temporalmente falando, eram o tempo e o futuro, e o hoje e o amanhã e o tempo e o hoje, e o futuro e o amanhã, o objecto dos seus dias (não exclusivamente daqueles dias, mas também).

Ora, foi precisamente, ao calcular o tempo que os pensamentos, que, repetidamente se deslocavam num plano perpendicular ao céu forrado de algodão, e, que, em movimentos vibratórios chegavam até aqueles dias, precisavam para a cisalhar, que se deu conta de que aquilo que estava a tentar descrever era tal qual as ondas Love e Rayleight, em doses homeopáticas.

Humanamente falando, ali, em cima de um cerro, ela que, nem aplicando o modelo matemático, conseguia dar cabo delas, desfez-se em mar.

a.

Deixar um comentário

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Modificar )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.