Amanheceu, num estado de não-estado. Tinha anoitecido num estado semelhante e isso dava-lhe a noção de quão coerente era. Assim sendo, foi nesse não-estado a tender para coisa nenhuma, que conseguiu mudar de espaço.
Desceu as escadas e as manchas da noite, branca mais uma vez, deram lugar às sombras do dia, sem que, com isso, algo fosse adicionado ao que já sabia. Poderia vir a ser, mas naquele momento, nada mais podia fazer.
Pouco dada às dicotomias e outras coisas, lembrou-se que, as mais das vezes, a crer nos fundamentalistas da prospectiva, o futuro existe. E ela, que lá havia de ser designer de órgãos, ia começar pelos seus próprios.
Pegou na alma e sentou-se a costurar.
a.
