Estava calor e ouvia-se o zumbido das moscas. Por dentro e por fora das palavras, tantas e tão poucas, muitas vezes densas, sentiu-os.
Conseguia, até, pensar com as mãos. E isso bastava-lhe.
a.
Estava calor e ouvia-se o zumbido das moscas. Por dentro e por fora das palavras, tantas e tão poucas, muitas vezes densas, sentiu-os.
Conseguia, até, pensar com as mãos. E isso bastava-lhe.
a.
As paredes, brancas e erguidas, não importavam. Eram protectoras e estavam lá. Apenas isso. Por via da reflexão da luz, eram um álibi perfeito para o silêncio. Hirtos, eles olhavam-nas, sem que os olhos se fixassem em algum ponto. Era como se não estivessem ali, ainda que soubessem bem que era ali que queriam estar.
Ali, onde estavam, era um qualquer lugar, onde era duro manter o sonho vivo.
a.
Estando de regresso às paredes que o protegiam do frio e que quase o sufocavam, lembrou-se de o dizer e disse-o. Não se deixou toldar pelo medo. Lá no fundo, sabia que não era preciso.
Disse-o primeiro, baixinho, a si próprio.
Depois atreveu-se e disse-o, naturalmente, assim.
(estranhamente não sentiu frio)
a.
As luzes de néon tornavam corpóreas as sombras, que por ali havia.
Os fios, enleados uns nos outros, davam brilho ao escuro.
- Sem açúcar, se faz favor!
a.