Ao acordar, ainda um ser dormente, viu-se como dona dos mesmos pensamentos, de que eram feitos os dias passados. Vestiu-se a si e a eles.
Ao meio-dia, num estilo contemplativo, ainda os olhava de alto a baixo. Aos pensamentos, vestidos por si há umas horas atrás. Quis mostrar-lhes que era capaz de os deixar ir e olhou para cima, em busca de um ponto de fuga. Lá estava o céu que lhe cobria os dias. Pintado em tons calmos que lhe neutralizam a vontade, mas não provam coisíssima nenhuma.
O resto do dia foi apenas um pedaço do caminho, entre o berço e a campa.
Por onde ia, não era um depósito de coisas. Talvez, nem mesmo uma berma de coisa nenhuma. Mas, mesmo assim, ia. O seu corpo magro confundia-se com a paisagem cheia de urbanidades enquanto a luz crua e fria da manhã lhe fazia piscar os olhos.
Alguns passos desengonçados depois, estancou e, vi-os, ali ao esticar da mão. Não pode deixar de sorrir enquanto somava na sua cabeça as parcelas da soma que lhe assomava certos dias.
Surpresa, reparou que oos cacos da razão, suspensos, não eram de ninguém.
São os dias que, depois de amanhecerem, se expandem e que esverdeiam até se alaranjarem. Não são por isso diferentes, são apenas, quase surreais.
Por isso, lá estão eles, ao lado de uma cadeira coberta de pó e, no avesso, com as rugas do costume. Quanto aos direitos, não é claro que a dor de os não ter lhes pertença. É apenas uma forma de se assinalar que eles, a ela não têm direito.
Depois, o céu riscado, a parede branca e o EU dessintonizado, fizeram o resto.
Não foram as flores e o aperto que sentia - desde há tanto tempo que, mesmo ao longe, o conhecia por dentro – seria a única coisa a encher-lhe os dias e as noites. E isso, ele não queria.
Em Agosto, que como é sabido, não é lugar para se viver.
Sem hesitar, olhou para o dia que se entendia à sua volta. Era um dia, metade dia, metade aquilo-que-se-quiser. Um dia que cheirava a palha, por estar no meio dos milheirais mais precoces. Um dia, que respirava, de tão azul que estava.
Encheu-se desse dia, por ali, no meio das bandeiras mais bonitas, que a viam passar, devagar e de nariz no ar, até que uma delas, lhe sussurrou baixinho: