Naquele dia, o ceú amanheceu riscado e ela reparou.
O nevoeiro que corria sobre o rio, atravessou-lhe a pele e aninhou-se no seu interior. Ali, teve que se entender com o frio, a fim de partilharem o espaço que por lá havia.
Os entendimentos nem sempre são fáceis e eles sabiam disso. Dispuseram-se a olhar para cada recanto, enquanto diziam baixinho:
Debaixo daquelas árvores, no meio das sombras arroxeadas pelas glicínias que, teimosamente, continuavam cúmplices da gravidade, ela dava-se conta do tamanho daquilo que, em Agosto, não se sabe bem o quê.
- Mysteries, disse, enquanto fechava os olhos e adormecia.
O bando de aves já se tinha ido. Com o medo entrelaçado nos neurónios, dentro de um espaço onde a trama se apertava cada vez mais, ele ia-se deixando ficar.
Por via disso e, sem que nada o indiciasse, sorria.