- Truz-truz! Posso entrar…!? Fica descansado, Pai Natal, que não te venho aumentar a renda!
- (…)
- Fizeste obras de melhoramento? Mas que óptimo! Puseste umas sanitas de design… óptimo… substituiste as maçanetas por outras com golfinhos… óptimo… jardinaste e plantaste daquelas flores grandes que florescem na Primavera e no Verão e quando calha… óptimo!! Mas que grande refugiado eu aqui tenho!
- (…)
- Assim sendo, deixa-me dizer-te que aquilo que cá me trás é … digamos que… o que eu quero dizer é… (porra, estive eu a decorar o discurso é agora não me sai nadinha…!).
- (…)
- Sim, claro, tens razão! Deves estar a pensar que uma criatura que se chama RU, às vezes rumina, eu sei! Mas não é bem a parte da ruminação… é mais a outra.
- (…)
- Pois, essa! Deve ser do vento, daquele whispering e frio. Mas… OK… OK… eu ouço a tua música… é esta!…!?
Ter acordado quase sufocado, de pedaços de palavras partidas misturadas com uns ecos de um silêncio barulhento, bastou. Essa sensação, dava ao desconforto dos seus dias, um toque cruelmente real.
Era uma manhã em que o céu estava partido. Talvez se tenha partido porque ele tinha bebido e dito coisas. Ou talvez não. Talvez fosse apenas um reflexo desconjuntado do acaso. Afinal, eram 5h da manhã e o céu batia-lhe no tecto que lhe fazia companhia.
- Não devias beber! Juntas os pedaços das palavras, partes o céu e dizes coisas que se ouvem longe.
Naquele dia, o ceú amanheceu riscado e ela reparou.
O nevoeiro que corria sobre o rio, atravessou-lhe a pele e aninhou-se no seu interior. Ali, teve que se entender com o frio, a fim de partilharem o espaço que por lá havia.
Os entendimentos nem sempre são fáceis e eles sabiam disso. Dispuseram-se a olhar para cada recanto, enquanto diziam baixinho: