Por onde ia, não era um depósito de coisas. Talvez, nem mesmo uma berma de coisa nenhuma. Mas, mesmo assim, ia. O seu corpo magro confundia-se com a paisagem cheia de urbanidades enquanto a luz crua e fria da manhã lhe fazia piscar os olhos.
Alguns passos desengonçados depois, estancou e, vi-os, ali ao esticar da mão. Não pode deixar de sorrir enquanto somava na sua cabeça as parcelas da soma que lhe assomava certos dias.
Surpresa, reparou que oos cacos da razão, suspensos, não eram de ninguém.
Debaixo daquelas árvores, no meio das sombras arroxeadas pelas glicínias que, teimosamente, continuavam cúmplices da gravidade, ela dava-se conta do tamanho daquilo que, em Agosto, não se sabe bem o quê.
- Mysteries, disse, enquanto fechava os olhos e adormecia.
Não foram as flores e o aperto que sentia - desde há tanto tempo que, mesmo ao longe, o conhecia por dentro – seria a única coisa a encher-lhe os dias e as noites. E isso, ele não queria.
Em Agosto, que como é sabido, não é lugar para se viver.
Naquele dia quente, ela olhava, ora para um lado ora para o outro. Desenrolou o que tinha enrolado. Dificilmente cabia ali ou em qualquer outro lugar. Desatou a olhar à volta.
Mas, como havia de poder ser, o azul não o ser?
Sentou-se em cima de uma qualquer superfície. Era azul.