Ter acordado quase sufocado, de pedaços de palavras partidas misturadas com uns ecos de um silêncio barulhento, bastou. Essa sensação, dava ao desconforto dos seus dias, um toque cruelmente real.
Era uma manhã em que o céu estava partido. Talvez se tenha partido porque ele tinha bebido e dito coisas. Ou talvez não. Talvez fosse apenas um reflexo desconjuntado do acaso. Afinal, eram 5h da manhã e o céu batia-lhe no tecto que lhe fazia companhia.
- Não devias beber! Juntas os pedaços das palavras, partes o céu e dizes coisas que se ouvem longe.
Por onde ia, não era um depósito de coisas. Talvez, nem mesmo uma berma de coisa nenhuma. Mas, mesmo assim, ia. O seu corpo magro confundia-se com a paisagem cheia de urbanidades enquanto a luz crua e fria da manhã lhe fazia piscar os olhos.
Alguns passos desengonçados depois, estancou e, vi-os, ali ao esticar da mão. Não pode deixar de sorrir enquanto somava na sua cabeça as parcelas da soma que lhe assomava certos dias.
Surpresa, reparou que oos cacos da razão, suspensos, não eram de ninguém.
Debaixo daquelas árvores, no meio das sombras arroxeadas pelas glicínias que, teimosamente, continuavam cúmplices da gravidade, ela dava-se conta do tamanho daquilo que, em Agosto, não se sabe bem o quê.
- Mysteries, disse, enquanto fechava os olhos e adormecia.
Não foram as flores e o aperto que sentia - desde há tanto tempo que, mesmo ao longe, o conhecia por dentro – seria a única coisa a encher-lhe os dias e as noites. E isso, ele não queria.
Em Agosto, que como é sabido, não é lugar para se viver.