Naquele dia, o ceú amanheceu riscado e ela reparou.
O nevoeiro que corria sobre o rio, atravessou-lhe a pele e aninhou-se no seu interior. Ali, teve que se entender com o frio, a fim de partilharem o espaço que por lá havia.
Os entendimentos nem sempre são fáceis e eles sabiam disso. Dispuseram-se a olhar para cada recanto, enquanto diziam baixinho:
O bando de aves já se tinha ido. Com o medo entrelaçado nos neurónios, dentro de um espaço onde a trama se apertava cada vez mais, ele ia-se deixando ficar.
Por via disso e, sem que nada o indiciasse, sorria.
Tendo adormecido com um coração de mata-borrão, acordou impregnado. Olhou-se e percebeu que transbordava. Não quis saber. Saiu de casa ao mesmo tempo que fechava o zip do casaco.
Deixou-se ir andando. Apressado, foi-se escondendo por detrás do vento. Do vento ou de outras irrelevâncias, que não sendo pertinentes, eram persistentes.
Acordar conectada intimamente com uma torradeira, era estranho. Pressentir que o dia ia ser um dia em que o pessimismo tentaria o flirt com a esperança, não a tranquilizava. Os pensamentos, como pólen a boiar, neutralizavam qualquer predisposição para a ação. Mesmo assim, os seus olhos precisavam de se focalizar em alguma coisa.
Nesse dia, os guindastes da zona não se admiraram de a ver e sorriram quando a ouviram gritar: