Debaixo daquelas árvores, no meio das sombras arroxeadas pelas glicínias que, teimosamente, continuavam cúmplices da gravidade, ela dava-se conta do tamanho daquilo que, em Agosto, não se sabe bem o quê.
- Mysteries, disse, enquanto fechava os olhos e adormecia.
Sob um céu carregado de poeira fininha, ele ia indo. Sem que desse bem conta, deixou-se escorregar pela margem da estrada, devagar, até sentir os pés baterem contra uma árvore. Apeteceu-lhe. Ali, debaixo daquela árvore, podia ver que as ondas no mar continuavam absolutamente azuis.
E ele ali, naquele lugar.
Era ele, sem dúvida.
O lugar, esse, era o mesmo, o mesmo de sempre.
Naquele dia quente, ela olhava, ora para um lado ora para o outro. Desenrolou o que tinha enrolado. Dificilmente cabia ali ou em qualquer outro lugar. Desatou a olhar à volta.
Mas, como havia de poder ser, o azul não o ser?
Sentou-se em cima de uma qualquer superfície. Era azul.
O sol estava frio. A luz do dia estava crua. Os olhos doíam-lhe. As mãos estavam caídas… inertes.
Onde estava, andava labirinticamente em circuito fechado. Apesar disso, passeava no areal, mesmo não saindo do mesmo sítio. Ia devagar, pisando a areia com a toda força que tinha. Libertava-se, assim, do peso que não lhe cabia em mais nenhum lugar do seu corpo. Daquele corpo que também tinha que transportar. Já tinha pensado alugá-lo, trocá-lo ou mesmo dá-lo. Mas isso não era boa ideia. Ele não queria desfazer-se dele.
Uns passos à frente, parou o seu corpo. Deixou que através dele passassem umas ondas hertzianas. Fortes, rápidas e aniquiladoras. Vi-o desmaterializar-se à sua frente. Deixou que o azul vindo do céu e do mar entrasse pelos seus olhos doridos. Agarrou qualquer coisa com as mãos que já não estavam mais caídas.