Com um rio com aquelas margens ali ao lado, sentia-se aconchegada.
E isso punha-lhe a circular aquelas coisas azuis, já suas conhecidas.
a.
Com um rio com aquelas margens ali ao lado, sentia-se aconchegada.
E isso punha-lhe a circular aquelas coisas azuis, já suas conhecidas.
a.
Tendo por via do frio, acordado em sobressalto, virou-se de costas e deixou-se ficar a olhar para o tecto enquanto as batidas do seu coração se propunham voltar a um ritmo banal. Nele, que estava longe de o ser, isso representava um período tão comprido em tempo e em tamanho, como escasso em algo que o surpreendesse.
Por enquanto, ele ainda controlava a sua própria vontade de acreditar. Enquanto pensava no tempo que iria precisar para teimar em assim continuar, olhou lá para fora.
Foi então, olhando para aquela bola, inchada e gorda, pendurada num céu branco de frio, que percebeu e, não foi capaz de deixar de sorrir.
a.
Hoje de manhã … 05.10h… antes que um barulho já seu conhecido impedisse qualquer sinal de vida, ela despiu a angústia (por força da vida) e vestiu-se de poesia (por força, igualmente da vida). Escrevinhou.
(…)
Decerto incapaz de sentir, de anestesiada que estava, pensou.
E com o que pensou teceu conjecturas, desejos e contradições.
Decerto involuntariamente, chorou.
E com as lágrimas que caíram, sarou uns aranhões,
alojados perto do sítio onde se pensa que possa estar a alma,
e que teimavam em arder, de forma continuada e persistente.
Decerto, brilhantemente, sorriu.
Para si.
Para a sua sombra projectada.
Para a sua estranheza entranhamente guardada.
Decerto, sentiu o brilho da esperança e o calor afogueado da dor.
Pareceu-lhe que ambos estavam envolvidos numa dança sem fim.
(…)
Agora, na cozinha apenas o barulho da torradeira ensurdecia os seus, ainda, poéticos pensamentos e os desejos a que não se atreveu a chamar nome nenhum. Deixou-os ir.
Apesar de tudo, o seu coração continuou a bater. Ao menos isso!
a.