Sem saber bem se são os ambientes que fazem os dias ou o inverso, ali se deixou ficar, de olhos fechados, sem fazer barulho, apenas a ouvir.
Simetricamente e, às escuras.
a.
Sem saber bem se são os ambientes que fazem os dias ou o inverso, ali se deixou ficar, de olhos fechados, sem fazer barulho, apenas a ouvir.
Simetricamente e, às escuras.
a.
Cada pedaço, interessava-lhe, o todo não. Era completo demais.
- Curtas e soltas sem serem deste mundo.
Por dentro, nem por isso. Por fora, ziguezagueava, sem muito pensar.
- Agora, já nem sequer sentia frio.
Aquele branco era cruel. Fazia de conta que tinha arestas por laminar.
- Um dia, quando já não tiver nada a perder!
a.
Ao acordar, ainda um ser dormente, viu-se como dona dos mesmos pensamentos, de que eram feitos os dias passados. Vestiu-se a si e a eles.
Ao meio-dia, num estilo contemplativo, ainda os olhava de alto a baixo. Aos pensamentos, vestidos por si há umas horas atrás. Quis mostrar-lhes que era capaz de os deixar ir e olhou para cima, em busca de um ponto de fuga. Lá estava o céu que lhe cobria os dias. Pintado em tons calmos que lhe neutralizam a vontade, mas não provam coisíssima nenhuma.
O resto do dia foi apenas um pedaço do caminho, entre o berço e a campa.
a.
Por onde ia, não era um depósito de coisas. Talvez, nem mesmo uma berma de coisa nenhuma. Mas, mesmo assim, ia. O seu corpo magro confundia-se com a paisagem cheia de urbanidades enquanto a luz crua e fria da manhã lhe fazia piscar os olhos.
Alguns passos desengonçados depois, estancou e, vi-os, ali ao esticar da mão. Não pode deixar de sorrir enquanto somava na sua cabeça as parcelas da soma que lhe assomava certos dias.
Surpresa, reparou que oos cacos da razão, suspensos, não eram de ninguém.
Assim sendo, deixou-se cair também.
a.
Há dias, em que à volta dos dias, se olha.
São os dias que, depois de amanhecerem, se expandem e que esverdeiam até se alaranjarem. Não são por isso diferentes, são apenas, quase surreais.
Por isso, lá estão eles, ao lado de uma cadeira coberta de pó e, no avesso, com as rugas do costume. Quanto aos direitos, não é claro que a dor de os não ter lhes pertença. É apenas uma forma de se assinalar que eles, a ela não têm direito.
Depois, o céu riscado, a parede branca e o EU dessintonizado, fizeram o resto.
Os dias, esses, deixaram-se estar.
a.