Naquele dia, o ceú amanheceu riscado e ela reparou.
O nevoeiro que corria sobre o rio, atravessou-lhe a pele e aninhou-se no seu interior. Ali, teve que se entender com o frio, a fim de partilharem o espaço que por lá havia.
Os entendimentos nem sempre são fáceis e eles sabiam disso. Dispuseram-se a olhar para cada recanto, enquanto diziam baixinho:
Tendo por via do frio, acordado em sobressalto, virou-se de costas e deixou-se ficar a olhar para o tecto enquanto as batidas do seu coração se propunham voltar a um ritmo banal. Nele, que estava longe de o ser, isso representava um período tão comprido em tempo e em tamanho, como escasso em algo que o surpreendesse.
Por enquanto, ele ainda controlava a sua própria vontade de acreditar. Enquanto pensava no tempo que iria precisar para teimar em assim continuar, olhou lá para fora.
Foi então, olhando para aquela bola, inchada e gorda, pendurada num céu branco de frio, que percebeu e, não foi capaz de deixar de sorrir.