Debaixo de uma luz quente que não aquecia, ela saltou para dentro de mais um daqueles dias azuis.
Sem que nenhum aperto a fizesse sentir o que quer que fosse, pegou na chávena de um café que tinha arrefecido sob o seu olhar parado. Sem hesitar, pousou-o e foi-se embora, sem que isso lhe parecesse uma coisa idiota. Ela, sim, era-o.
Nesse dia, tudo o que fez, levava uma marca que lhe vinha de dentro… 100% wrong!
Ele acordou como o verbo saber, conjugado no presente, a martelar-lhe na cabeça. Eu sei-Tu sabes-Ele (ela) sabe-Nós sabemos-Vós sabeis-Eles (elas) sabem… que a chuva potencia estados verdadeiramente merdosos!
Isso, mais a desordem em que se encontrava mergulhado, acelerou os sinais eléctricos do seu circuito de vida assustadoramente labirintica. Foi, sob esta tensão de heartbeats, que acendeu o primeiro cigarro da manhã.
Nesse dia, apenas o desejo do cheiro do café da manhã o fez levantar-se enquanto dizia a si próprio aquilo que milhentas outras vezes tinha dito, sem resultado algum.
Há dias cinzentos. Há dias nihilistas. Há dias de merda.
Ela prefere-os nihilistas porque a deixam com a sensação de que é mesmo idiota. Nihilistas e de merda! Isso significa uma atitude contemplativa e passiva de si, dos outros e do mundo.
Ao chegar a casa, descalçou-se e pôs-se a ouvir esta música. Deixou-se por lá ficar por coerência com o desalento e incapacidade de ir (onde quer que fosse). Porra!
Corrosivamente, ele gritou. Arremessando-se contra a porta, gritou de novo. Já esperava que isto lhe acontecesse. Apenas não sabia quando e onde. Foi-o ali, naquele instante, em que a luz lhe ofuscava a razão, a raiva lhe bloqueava a contenção, o medo lhe arrefecia aquilo que podia ser a alma, se não estivesse esfrangalhada há muito. Olhou-se ao espelho e não se estranhou. Era o mesmo idiota de sempre, com a diferença de que agora sangrava.