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Your Hand in Mine

Ele passeava, debaixo de um céu homogéneo, sem ser azul. O frio dava-lhe aquele tom quase branco, sem brilho. Era melhor assim. Tornava-lhe discretas as idas e vindas, nas ruas escuras, onde as sombras apenas se adivinhavam.

 

Carregado de pensamentos perturbadores, quis proteger-se do frio. Encolheu os ombros e enfiou as mãos nos bolsos. O frio era tanto que sentiu o calor de outras mãos. Não se surpreendeu. Agarrou-as apenas.

 

Mesmo desolado, pensava. Mesmo perdido, sabia.

Em estatística, calculam-se combinações e arranjos.

 

E na vida, porra?

 

a.

 

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One shot (not)

Nos dias em que o rácio entre o azul do céu e o azul do mar é cor-de-laranja, o sorriso enche-se, os passos apressam-se e as mãos agarram qualquer coisa.

 

E mesmo que seja nada, será sempre uma mão cheia… mesmo que de coisa nenhuma.

 

a.

 

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O azul de qualquer coisa

O sol estava frio. A luz do dia estava crua. Os olhos doíam-lhe. As mãos estavam caídas… inertes.

Onde estava,  andava labirinticamente em circuito fechado. Apesar disso, passeava no areal, mesmo não saindo do mesmo sítio.  Ia devagar, pisando a areia com a toda força que tinha. Libertava-se, assim, do peso que não lhe cabia em mais nenhum lugar do seu corpo. Daquele corpo que também tinha que transportar. Já tinha pensado alugá-lo, trocá-lo ou mesmo dá-lo. Mas isso não era boa ideia. Ele não queria desfazer-se dele.

Uns passos à frente, parou o seu corpo. Deixou que através dele passassem umas ondas hertzianas. Fortes, rápidas e aniquiladoras. Vi-o desmaterializar-se à sua frente. Deixou que o azul vindo do céu e do mar entrasse pelos seus olhos doridos. Agarrou qualquer coisa com as mãos que já não estavam mais caídas.

Mais tarde haveria de ver o que era.

a.

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