Acordado, olhava o tecto. Conhecia-lhe as rugosidades e as manchas. Evitava cuidadosamente nelas fixar os olhos. Não que não fosse capaz, mas porque viver ao de leve, era mais fácil. Parecia, pelo menos.
Nessas noites, a solução era, por vezes, pôr o ego a tripar.
Tendo por via do frio, acordado em sobressalto, virou-se de costas e deixou-se ficar a olhar para o tecto enquanto as batidas do seu coração se propunham voltar a um ritmo banal. Nele, que estava longe de o ser, isso representava um período tão comprido em tempo e em tamanho, como escasso em algo que o surpreendesse.
Por enquanto, ele ainda controlava a sua própria vontade de acreditar. Enquanto pensava no tempo que iria precisar para teimar em assim continuar, olhou lá para fora.
Foi então, olhando para aquela bola, inchada e gorda, pendurada num céu branco de frio, que percebeu e, não foi capaz de deixar de sorrir.
Depois de um tecto estupidamente branco a cobrir uma noite branca, nenhum o corpo se ergue sem ajuda. O dele não era excepção. Por isso, dos anestésicos à mão… escolheu este.