Quando perguntou a si própria porque é que fazia tempo que não acordava com o barulho da torradeira, não se surpreendeu com a resposta. Continuou a invocar a racionalidade e lembrou-se que há coisas que não se esquecem.
Com um punhado de pensamentos em desordem, e com as mãos agarradas a si, saiu de casa.
Durante o sono, o seu cérebro criava hipóteses, alimentando-se de percentis. Mas, aquilo que precisava era de uma boa medida de posição, que a localizasse aqui ou ali.
Enquanto isso não acontecia, eram os coeficientes o alimento mais desejado do seu pensamento. Alinhava-o por aí. Mas, do meio do nada, saltava um ou outro desvio-padrão. Esses, eram facilmente extraídos. Bastava contar as batidas do coração. Mas, ela sabia quão enganador isso podia ser se as assimetrias fossem significativas (qual deles bateria mais?).
Já acordada, de torradeira ligada a aquecer-lhe o peito, desatou a calcular Persons e outros senhores, enquanto descascava uma laranja e pensava:
- Esta coisa, que me enche as noites e os dias, é tudo menos mesocúrtica.
Onde está, a noite acaba de expulsar o dia. Sem contemplações. Deixa no ar um cheiro a palha seca e a promessa de voltar. Por essa razão, ou qualquer outra, disse a si próprio:
- Um dia destes, até posso estrebuchar com o que sinto, mas por ora, acordo e adormeço conectado com uma torradeira e isso basta-me!