Naquele dia, o ceú amanheceu riscado e ela reparou.
O nevoeiro que corria sobre o rio, atravessou-lhe a pele e aninhou-se no seu interior. Ali, teve que se entender com o frio, a fim de partilharem o espaço que por lá havia.
Os entendimentos nem sempre são fáceis e eles sabiam disso. Dispuseram-se a olhar para cada recanto, enquanto diziam baixinho:
Sem hesitar, olhou para o dia que se entendia à sua volta. Era um dia, metade dia, metade aquilo-que-se-quiser. Um dia que cheirava a palha, por estar no meio dos milheirais mais precoces. Um dia, que respirava, de tão azul que estava.
Encheu-se desse dia, por ali, no meio das bandeiras mais bonitas, que a viam passar, devagar e de nariz no ar, até que uma delas, lhe sussurrou baixinho:
Do outro lado do fio, esvoaçava uma letra. A última do dia.
Sei saber como, as suas mãos crispavam-se e, as pernas, que continuavam imóveis, doíam-lhe.
De tão poderosos, teimavam. Naturalmente, sem que isso fosse estranho. Os pensamentos, esses, iam saltando de neurónio em neurónio. Às vezes sorriam e, a cada vez que o faziam, percebiam mais.
Tranquilizaram-se, sabendo que mais logo, à noitinha, aquela parede branca havia de tentar (uma vez mais) reflectir o que lhes ia na alma.